Thursday, December 04, 2003
PROVAVELMENTE VOCÊ JÁ OBSERVOU QUE homens e mulheres lidam com o telefone de maneiras diferentes. Enquanto encaramos esse aparelhinho como um meio de estar o tempo todo em contato com as amigas, eles o vêem simplesmente como um instrumento para a troca rápida de informações. Alguém aí já viu um gato pendurado numa linha durante hoooras? Pois é justamente o que adoramos fazer, desde que nos entendemos por gente! Para saber mais sobre a relação entre os homens e o telefone — e eliminar de uma vez por todas as dúvidas que nos fazem esquentar a cabeça —, pedimos a ajuda de Fernando Bonassi, autor dos livros As Melhores Vibrações (Publifolha) e Prova Contrária (Objetiva), e de Ulisses Tavares, autor de O Guia do Homem (Geração Editorial). Inspire-se nos conselhos dos especialistas para virar fera nesse tipo de comunicação. É garantido: você avançará inúmeras casas e ganhará pontos sem fim no jogo da sedução.
Por que alguns homens demoram tanto para pedir o telefone de uma mulher?
"Das duas uma: ou o rapaz é tímido ou não está interessado", analisa Ulisses Tavares. "Se quiser agilizar as coisas, tente passar o seu número para ele por intermédio de uma amiga em comum", sugere. Fernando Bonassi aconselha: "Procure saber o que esse homem curte fazer. Arranje algo que possa interessá-lo e use o tema para puxar assunto. Então, ofereça o seu telefone caso ele queira se aprofundar nos detalhes".
Se ele não ligar no dia seguinte, significa que não está interessado?
Esse não é exatamente o sinal mais positivo que se pode obter de um paquera. "Quando um rapaz realmente gosta de uma garota, corre atrás. É isso o que diferencia os encontros ocasionais de um potencial namoro", afirma Ulisses. O sumiço só é justificável se o moço estiver passando por uma semana complicada no trabalho, por exemplo. Caso contrário, depois de três ou quatro dias sem notícias, prefira partir para outra.
É possível aumentar o interesse de um pretendente demorando algum tempo para retornar a ligação dele?
"Homens são guerreiros do amor, valorizam as dificuldades", afirma Ulisses. "Contudo, não adie o retorno além da conta, ou ele vai achar que você é arrogante e inacessível", alerta. Nesse caso, um dia pode ser considerado tempo demais. Use o bom senso. Na opinião de Bonassi, esse tipo de jogo é perigoso, porque, se mal dimensionado, pode provocar o desinteresse de seu alvo.
Acabei de deixar uma mensagem na secretária eletrônica do gato. Posso tentar localizá-lo também pelo celular ou parecerá que o estou perseguindo?
"Se você tem o número, por que não recorrer ao celular? Quando se tem algo de bom a dizer, vale a pena empregar os meios disponíveis para fazê-lo. Ele pode estar precisando de suas palavras. É adorável ser procurado", afirma Bonassi.
Descobri, pelo identificador de chamadas, que meu paquera telefonou. Devo retornar, mesmo que ele não tenha deixado recado? Em caso positivo, menciono que sabia de sua ligação?
Alertá-lo para o fato de que você sabe da ligação pode colocá-lo na defensiva. "Se o cara nem sequer se dignou a deixar uma mensagem, por que dar tanto mole? Quando um homem se depara com muita facilidade, acaba perdendo o interesse", diz Ulisses. Trocando em miúdos: retorne a ligação apenas se o moço deixar recado.
Liguei para o celular dele. Depois de tocar insistentemente, a ligação foi desviada para a secretária eletrônica. Sei que o gato tem identificador de chamadas. Deixo um recado?
"Sem dúvida. Quem procura deve assumir que o fez e valorizar-se por causa disso, não o contrário", recomenda Bonassi. Ulisses concorda e acrescenta: "Deixe uma mensagem simples, como: 'Por favor, telefone assim que possível, ok?' Mostre firmeza e transparência, sem parecer que está dando uma ordem. Depois, quando o rapaz retornar a ligação, você e ele se acertam".
o que o modelo do celular dele revela
FLIPFONE A opção por display e teclado protegidos demonstra que ele valoriza a privacidade.
PESO PLUMA Em geral, quanto mais leve o telefone, mais caro ele é. Seu dono pode ser vaidoso (principalmente se vive exibindo-o).
SUPERCOLORIDO O rapaz gosta de ser notado. Existem boas chances de que ele adore andar na moda — e tenha um lado perdulário.
CHEIO DE JOGOS O gato aprecia diversão e desafios, já que curte bater recordes.
ULTRAPASSADO O dono de um modelo da idade da pedra provavelmente é conservador e fiel aos próprios princípios.
decifre as mensagens do gato
O que está por trás do recado que ele deixa na secretária eletrônica
O RETICENTE "Oi... Hum, e aí? Sou eu. Só estou ligando, hum, porque queria saber se você está em casa, mas, hã... obviamente você não está. Então, estou deixando esse recado e, bom, me liga depois, se quiser, ok?" O nervosismo evidente sugere que o moço está bastante interessado em você. O motivo da cautela: ele deseja causar uma boa impressão.
O PROFISSIONAL "Oi. Sou eu. Me liga. Tchau." Não interprete o jeito apressado dele como grosseria. Homens são objetivos ao telefone. Analise a mensagem pelo que é: um sinal de que ele quer falar com você.
O DESCOMPROMISSADO "Olá, estou aqui com os caras e quis te dar um alô. A gente se fala mais tarde?" Esse tipo de recado, embora um pouco vago, indica que ele tem boas intenções. Afinal, pensa em você mesmo quando está com os amigos!
mandamentos da boa comunicação
Para dissipar a dúvida sobre a maneira de abordá-lo dê uma olhada nestas dicas
PARA FECHAR OS DETALHES DE UM ENCONTRO Ligue para ele do seu celular. Telefones móveis são perfeitos para papos curtos, como checar o horário do cinema.
PARA SE CONHECEREM MELHOR A menos que o seu paquera more muuuito longe, nada melhor do que uma conversa frente a frente.
PARA CONVERSAR A RESPEITO DE GENERALIDADES Telefone para ele da linha fixa. O celular não é uma boa escolha porque a maioria das pessoas faz outras coisas enquanto fala. Você corre o risco de não ter a total atenção dele, se aborrecer e, ainda pior, descontar no próprio.
PARA ACERTAR OS PONTEIROS DA RELAÇÃO Dê preferência ao e-mail. Escrever permite que você pense antes de expor suas idéias. Além disso, alguns homens expressam melhor seus sentimentos através do texto. A segunda opção é ligar para ele em casa, quando ambos tiverem tempo para conversar.
Por que alguns homens demoram tanto para pedir o telefone de uma mulher?
"Das duas uma: ou o rapaz é tímido ou não está interessado", analisa Ulisses Tavares. "Se quiser agilizar as coisas, tente passar o seu número para ele por intermédio de uma amiga em comum", sugere. Fernando Bonassi aconselha: "Procure saber o que esse homem curte fazer. Arranje algo que possa interessá-lo e use o tema para puxar assunto. Então, ofereça o seu telefone caso ele queira se aprofundar nos detalhes".
Se ele não ligar no dia seguinte, significa que não está interessado?
Esse não é exatamente o sinal mais positivo que se pode obter de um paquera. "Quando um rapaz realmente gosta de uma garota, corre atrás. É isso o que diferencia os encontros ocasionais de um potencial namoro", afirma Ulisses. O sumiço só é justificável se o moço estiver passando por uma semana complicada no trabalho, por exemplo. Caso contrário, depois de três ou quatro dias sem notícias, prefira partir para outra.
É possível aumentar o interesse de um pretendente demorando algum tempo para retornar a ligação dele?
"Homens são guerreiros do amor, valorizam as dificuldades", afirma Ulisses. "Contudo, não adie o retorno além da conta, ou ele vai achar que você é arrogante e inacessível", alerta. Nesse caso, um dia pode ser considerado tempo demais. Use o bom senso. Na opinião de Bonassi, esse tipo de jogo é perigoso, porque, se mal dimensionado, pode provocar o desinteresse de seu alvo.
Acabei de deixar uma mensagem na secretária eletrônica do gato. Posso tentar localizá-lo também pelo celular ou parecerá que o estou perseguindo?
"Se você tem o número, por que não recorrer ao celular? Quando se tem algo de bom a dizer, vale a pena empregar os meios disponíveis para fazê-lo. Ele pode estar precisando de suas palavras. É adorável ser procurado", afirma Bonassi.
Descobri, pelo identificador de chamadas, que meu paquera telefonou. Devo retornar, mesmo que ele não tenha deixado recado? Em caso positivo, menciono que sabia de sua ligação?
Alertá-lo para o fato de que você sabe da ligação pode colocá-lo na defensiva. "Se o cara nem sequer se dignou a deixar uma mensagem, por que dar tanto mole? Quando um homem se depara com muita facilidade, acaba perdendo o interesse", diz Ulisses. Trocando em miúdos: retorne a ligação apenas se o moço deixar recado.
Liguei para o celular dele. Depois de tocar insistentemente, a ligação foi desviada para a secretária eletrônica. Sei que o gato tem identificador de chamadas. Deixo um recado?
"Sem dúvida. Quem procura deve assumir que o fez e valorizar-se por causa disso, não o contrário", recomenda Bonassi. Ulisses concorda e acrescenta: "Deixe uma mensagem simples, como: 'Por favor, telefone assim que possível, ok?' Mostre firmeza e transparência, sem parecer que está dando uma ordem. Depois, quando o rapaz retornar a ligação, você e ele se acertam".
o que o modelo do celular dele revela
FLIPFONE A opção por display e teclado protegidos demonstra que ele valoriza a privacidade.
PESO PLUMA Em geral, quanto mais leve o telefone, mais caro ele é. Seu dono pode ser vaidoso (principalmente se vive exibindo-o).
SUPERCOLORIDO O rapaz gosta de ser notado. Existem boas chances de que ele adore andar na moda — e tenha um lado perdulário.
CHEIO DE JOGOS O gato aprecia diversão e desafios, já que curte bater recordes.
ULTRAPASSADO O dono de um modelo da idade da pedra provavelmente é conservador e fiel aos próprios princípios.
decifre as mensagens do gato
O que está por trás do recado que ele deixa na secretária eletrônica
O RETICENTE "Oi... Hum, e aí? Sou eu. Só estou ligando, hum, porque queria saber se você está em casa, mas, hã... obviamente você não está. Então, estou deixando esse recado e, bom, me liga depois, se quiser, ok?" O nervosismo evidente sugere que o moço está bastante interessado em você. O motivo da cautela: ele deseja causar uma boa impressão.
O PROFISSIONAL "Oi. Sou eu. Me liga. Tchau." Não interprete o jeito apressado dele como grosseria. Homens são objetivos ao telefone. Analise a mensagem pelo que é: um sinal de que ele quer falar com você.
O DESCOMPROMISSADO "Olá, estou aqui com os caras e quis te dar um alô. A gente se fala mais tarde?" Esse tipo de recado, embora um pouco vago, indica que ele tem boas intenções. Afinal, pensa em você mesmo quando está com os amigos!
mandamentos da boa comunicação
Para dissipar a dúvida sobre a maneira de abordá-lo dê uma olhada nestas dicas
PARA FECHAR OS DETALHES DE UM ENCONTRO Ligue para ele do seu celular. Telefones móveis são perfeitos para papos curtos, como checar o horário do cinema.
PARA SE CONHECEREM MELHOR A menos que o seu paquera more muuuito longe, nada melhor do que uma conversa frente a frente.
PARA CONVERSAR A RESPEITO DE GENERALIDADES Telefone para ele da linha fixa. O celular não é uma boa escolha porque a maioria das pessoas faz outras coisas enquanto fala. Você corre o risco de não ter a total atenção dele, se aborrecer e, ainda pior, descontar no próprio.
PARA ACERTAR OS PONTEIROS DA RELAÇÃO Dê preferência ao e-mail. Escrever permite que você pense antes de expor suas idéias. Além disso, alguns homens expressam melhor seus sentimentos através do texto. A segunda opção é ligar para ele em casa, quando ambos tiverem tempo para conversar.
Sunday, October 26, 2003
SE146
A perseguição sexual começa em nível lingüístico. Mesmo hoje, com toda a liberdade de falar de sexo, continua verdadeiro, como sempre foi, que em todas as famílias honestas, normais, respeitáveis e dignas, NINGUÉM TEM PINTO E BUCETA.
Repararam nas frases? Jamais se diz os nomes amaldiçoados. É sempre "aquilo", "lá", "ele", "aí". "Menino, não mexa aí", "Menina, abaixe essa saia", "Não mexa embaixo".
NUNCA uma mãe dirá: "Tira a mão do teu caralho!", ou "menina, sentando assim, tua xoxota aparece", ou - quando é namorada: - "Não mexe na minha boceta". Jamais! TABU! TABU!
Os paradoxos se multiplicam. Esses que não tem nome - ou cujo nome, como o de Jeová, não pode ser pronunciado - tem mil nomes e mil faces, todos alegóricos, a maior parte grosseiros (mandioca, pau, cacete, peroba, ferro, pistola), muitos vegetarianos (pepino, cenoura, nabo, mandioca), frutíferos (banana), galináceos (pinto, peru, ganso) ou frios sortidos (lingüiça, salsicha, salame...), coisas nojentas (geba, borrachudo).
Na família e na sociedade a negação do pinto - hoje como sempre – ainda é fanática, e quando a criança começa a ter suas primeiras coceirinhas gostosas, quando ela não pode mais deixar de senti-lo, então ela o exibe escandalosamente, e seu gesto significa, muito claramente: "Olhem, eu tenho! O que é que eu faço com isso? Você tem? O que você faz com isso?
Por que vocês fazem cara de quem não tem? Mostra! Quer ver o teu!" E assim começa a bichice de todos. Todos os homens sofrem de uma vasta curiosidade em relação aos pintos dos demais - mas só eu tenho coragem de dizer isso. Sou macho!
Há poucas décadas veio se introduzindo sorrateiramente – sempre disfarçado - o termo pênis, tão asséptico (bem desinfetado, para quem não conhece a palavra); e tão ascético (aquele que mortifica a carne).
Quando a sua excelentíssima esposa, a vagina, é aceita pela família brasileira. Mas criança negada cresce como adulto renegado. Pau, cacete, ferro, pica (de picar) são nomes assaz impróprios para um órgão cuja função primária - pasmem, machões! - é acariciar. Cacete, ferro vara, etc. lembram incoercivelmente agressão pancadaria, briga.
Creio que, segundo uma lei fundamental das emoções, o tal, ao se ver tão maltratado, sentiu- se por demais frustrado, e a frustração - esta é a Lei - gera agressão. E eis o carinhoso instrumento da reprodução transformado em arma de ataque - de defesa - ou instrumento de tortura.
Mas voltemos ao caralho - que é o pinto agressivo do machão. Vamos fazer a psicanálise do infeliz a fim de compreender seu comportamento de delinqüente - ou o fato de ser tratado como se fosse. Falta de educação, dissemos. A deseducação do tal ocorre na rua, onde os moleques, todos meio tarados e muito ignorantes, trocam suas fantasias exageradas, grotescas e superexcitadas uns com os outros. Um troca-troca intelectual destinado a cultivar em todos o "perverso polimorfo" de Freud (ainda voltaremos a essa inveja dos adultos frente às crianças). Sabem todos os moleques das péssimas opiniões dos adultos - principalmente as mães - sobre o tal. É o perseguido, amaldiçoado, negado, desprezado e degradado da respeitabilidade - vimos. Logo, se os moleques se reúnem em seu nome, trata se - mal comparando - de uma Missa Negra, do cultivo de algo abominável e terrível.
O que pode nascer nessa atmosfera senão esse monstrengo tantas vezes acusado e condenado? O machão. Por ter seu pinto sistematicamente negado, ele acabou se fazendo somente um pinto, sempre aí, sempre duro, sempre se afirmando teimosamente - agressivamente.
Falo: você sabe que esse é um dos nomes respeitáveis e eruditos do famigerado? Etimologia grega - não é o máximo? Segundo mestre Jung, "falo" significa "luminoso" veja só. Parece que a mesma raiz grega se encontra na palavra "farol". Lindo, não é?
Aliás, ele também tem nomes bonitos, dados pelos que verdadeiramente o amam, como Lança de Eros ou Coluna de Jade.
Aí fica a sugestão. Na próxima vez que você der uma martelada no dedo, diga bem forte "Coluna de Jade". Uma certeza você pode ter: os
circunstantes vão ficar deveras espantados. Palavrão erudito!
O pinto é sempre o herói da anedota pornográfica - ele e suas andanas pelo mundo. As rodas de piadas é o resíduo da antiga molecagem de rua, as anedotas vão dizendo, em termos bem crus, tudo o que é proibido dizer. É o Eterno Moleque rindo, babando, de olhos brilhantes, ao mesmo tempo envergonhado.
E o sapo que, beijado, se transforma em príncipe? Poderia haver analogia mais feliz e mais didática? O pinto mole, pendurado, flácido, "nojento" e "desprezível" é o que todas as mães do mundo conseguem fazer a gente sentir quando a gente o sente. Um sapo, verdadeiramente. Mas basta que a princesa o beije para que ele se transforme em príncipe, ereto, garboso, rosado...
Quem é que acorda mesmo a Bela Adormecida? Vamos tentar nos por na pele de uma mulher. Desde que ela nasce ouve dizer, em palavras, mas principalmente em caras, tons de voz e olhares, que "ele" é seu maior inimigo. Cuidado com ele, fascínio e desgraça de todas as mulheres.
"Melhor, queridinha filhinha, que você continue adormecida na sua inocência. Você tem como sua primeira obrigação jamais pensar em uma coisa dessas. Isso não existe, viu? Durma, meu bem - e vê se vai morrendo aos poucos - é mais seguro do que querer viver".
E o caixãozinho de cristal - de paredes invisíveis mas á prova de balas - se fecha sobre a infeliz: os preconceitos de seu mundo são incorporados e transformados naquilo que Reich, em hora feliz, denominou Couraça Muscular do Caráter.
O que é esse caixãozinho de cristal? É toda a "proteção" da jovem contra o pinto. É toda a força que a jovem aprende a fazer - na marra! - a fim de não fazer o que ela mais deseja, o que mais quer e o que mais precisa. É a força das frases imbecis que todos repetem sem saber o que estão dizendo; frases, olhares, expressões de rosto (como são cruéis as faces maternas - e as de todos - quando representam a ideologia!).
(Ficam literalmente tomados pelo diabo, sem o saberem, e O representam - é claro que o diabo é Deus e suas imposições repressivas. Esta é uma colocação minha, e o pobre do diabo deve ter ficado ofendido em ser xingado de Deus, a Ideologia).
E, com medo do que dirão os cúmplices do pacto social, muitas ficam boazinhas em seus esquifes de cristal, até que o príncipe encantado – o Senhor marido, no altar da Igreja - se digne a acordá-las para o sacrossanto dever da divina maternidade, entregue pelo pai. Ai pode. Só um pouquinho - mas pode.
Quem põe na cabeça da moça é a mãe - no começo. Depois o pai ajuda – às vezes muito. Principalmente quando ele começa a cobiçar o broto que nasceu do seu pau...
(por J. Ângelo Gaiarsa)
A perseguição sexual começa em nível lingüístico. Mesmo hoje, com toda a liberdade de falar de sexo, continua verdadeiro, como sempre foi, que em todas as famílias honestas, normais, respeitáveis e dignas, NINGUÉM TEM PINTO E BUCETA.
Repararam nas frases? Jamais se diz os nomes amaldiçoados. É sempre "aquilo", "lá", "ele", "aí". "Menino, não mexa aí", "Menina, abaixe essa saia", "Não mexa embaixo".
NUNCA uma mãe dirá: "Tira a mão do teu caralho!", ou "menina, sentando assim, tua xoxota aparece", ou - quando é namorada: - "Não mexe na minha boceta". Jamais! TABU! TABU!
Os paradoxos se multiplicam. Esses que não tem nome - ou cujo nome, como o de Jeová, não pode ser pronunciado - tem mil nomes e mil faces, todos alegóricos, a maior parte grosseiros (mandioca, pau, cacete, peroba, ferro, pistola), muitos vegetarianos (pepino, cenoura, nabo, mandioca), frutíferos (banana), galináceos (pinto, peru, ganso) ou frios sortidos (lingüiça, salsicha, salame...), coisas nojentas (geba, borrachudo).
Na família e na sociedade a negação do pinto - hoje como sempre – ainda é fanática, e quando a criança começa a ter suas primeiras coceirinhas gostosas, quando ela não pode mais deixar de senti-lo, então ela o exibe escandalosamente, e seu gesto significa, muito claramente: "Olhem, eu tenho! O que é que eu faço com isso? Você tem? O que você faz com isso?
Por que vocês fazem cara de quem não tem? Mostra! Quer ver o teu!" E assim começa a bichice de todos. Todos os homens sofrem de uma vasta curiosidade em relação aos pintos dos demais - mas só eu tenho coragem de dizer isso. Sou macho!
Há poucas décadas veio se introduzindo sorrateiramente – sempre disfarçado - o termo pênis, tão asséptico (bem desinfetado, para quem não conhece a palavra); e tão ascético (aquele que mortifica a carne).
Quando a sua excelentíssima esposa, a vagina, é aceita pela família brasileira. Mas criança negada cresce como adulto renegado. Pau, cacete, ferro, pica (de picar) são nomes assaz impróprios para um órgão cuja função primária - pasmem, machões! - é acariciar. Cacete, ferro vara, etc. lembram incoercivelmente agressão pancadaria, briga.
Creio que, segundo uma lei fundamental das emoções, o tal, ao se ver tão maltratado, sentiu- se por demais frustrado, e a frustração - esta é a Lei - gera agressão. E eis o carinhoso instrumento da reprodução transformado em arma de ataque - de defesa - ou instrumento de tortura.
Mas voltemos ao caralho - que é o pinto agressivo do machão. Vamos fazer a psicanálise do infeliz a fim de compreender seu comportamento de delinqüente - ou o fato de ser tratado como se fosse. Falta de educação, dissemos. A deseducação do tal ocorre na rua, onde os moleques, todos meio tarados e muito ignorantes, trocam suas fantasias exageradas, grotescas e superexcitadas uns com os outros. Um troca-troca intelectual destinado a cultivar em todos o "perverso polimorfo" de Freud (ainda voltaremos a essa inveja dos adultos frente às crianças). Sabem todos os moleques das péssimas opiniões dos adultos - principalmente as mães - sobre o tal. É o perseguido, amaldiçoado, negado, desprezado e degradado da respeitabilidade - vimos. Logo, se os moleques se reúnem em seu nome, trata se - mal comparando - de uma Missa Negra, do cultivo de algo abominável e terrível.
O que pode nascer nessa atmosfera senão esse monstrengo tantas vezes acusado e condenado? O machão. Por ter seu pinto sistematicamente negado, ele acabou se fazendo somente um pinto, sempre aí, sempre duro, sempre se afirmando teimosamente - agressivamente.
Falo: você sabe que esse é um dos nomes respeitáveis e eruditos do famigerado? Etimologia grega - não é o máximo? Segundo mestre Jung, "falo" significa "luminoso" veja só. Parece que a mesma raiz grega se encontra na palavra "farol". Lindo, não é?
Aliás, ele também tem nomes bonitos, dados pelos que verdadeiramente o amam, como Lança de Eros ou Coluna de Jade.
Aí fica a sugestão. Na próxima vez que você der uma martelada no dedo, diga bem forte "Coluna de Jade". Uma certeza você pode ter: os
circunstantes vão ficar deveras espantados. Palavrão erudito!
O pinto é sempre o herói da anedota pornográfica - ele e suas andanas pelo mundo. As rodas de piadas é o resíduo da antiga molecagem de rua, as anedotas vão dizendo, em termos bem crus, tudo o que é proibido dizer. É o Eterno Moleque rindo, babando, de olhos brilhantes, ao mesmo tempo envergonhado.
E o sapo que, beijado, se transforma em príncipe? Poderia haver analogia mais feliz e mais didática? O pinto mole, pendurado, flácido, "nojento" e "desprezível" é o que todas as mães do mundo conseguem fazer a gente sentir quando a gente o sente. Um sapo, verdadeiramente. Mas basta que a princesa o beije para que ele se transforme em príncipe, ereto, garboso, rosado...
Quem é que acorda mesmo a Bela Adormecida? Vamos tentar nos por na pele de uma mulher. Desde que ela nasce ouve dizer, em palavras, mas principalmente em caras, tons de voz e olhares, que "ele" é seu maior inimigo. Cuidado com ele, fascínio e desgraça de todas as mulheres.
"Melhor, queridinha filhinha, que você continue adormecida na sua inocência. Você tem como sua primeira obrigação jamais pensar em uma coisa dessas. Isso não existe, viu? Durma, meu bem - e vê se vai morrendo aos poucos - é mais seguro do que querer viver".
E o caixãozinho de cristal - de paredes invisíveis mas á prova de balas - se fecha sobre a infeliz: os preconceitos de seu mundo são incorporados e transformados naquilo que Reich, em hora feliz, denominou Couraça Muscular do Caráter.
O que é esse caixãozinho de cristal? É toda a "proteção" da jovem contra o pinto. É toda a força que a jovem aprende a fazer - na marra! - a fim de não fazer o que ela mais deseja, o que mais quer e o que mais precisa. É a força das frases imbecis que todos repetem sem saber o que estão dizendo; frases, olhares, expressões de rosto (como são cruéis as faces maternas - e as de todos - quando representam a ideologia!).
(Ficam literalmente tomados pelo diabo, sem o saberem, e O representam - é claro que o diabo é Deus e suas imposições repressivas. Esta é uma colocação minha, e o pobre do diabo deve ter ficado ofendido em ser xingado de Deus, a Ideologia).
E, com medo do que dirão os cúmplices do pacto social, muitas ficam boazinhas em seus esquifes de cristal, até que o príncipe encantado – o Senhor marido, no altar da Igreja - se digne a acordá-las para o sacrossanto dever da divina maternidade, entregue pelo pai. Ai pode. Só um pouquinho - mas pode.
Quem põe na cabeça da moça é a mãe - no começo. Depois o pai ajuda – às vezes muito. Principalmente quando ele começa a cobiçar o broto que nasceu do seu pau...
(por J. Ângelo Gaiarsa)